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segunda-feira, 27 de junho de 2011

ABSTINÊNCIA

O que é esta falta
Esta agonia que dá
Esta ânsia por palavras
Pelo silêncio derradeiro

Que me faz acompanhada
E protegida do abandono?

O que é que se faz
Com este aperto no peito
Este sentimento
Ao mesmo tempo intenso
Embora louco
Sem nexo
Nem sentido
Sentindo...
Até quando?

Quarenta e um anos de vida
E este embaraço
Retrato
De minhas canções loucas
Com letras lamuriosas
Românticas, chorosas
De refrão persistente
Avassalador
...
Para onde foi meu boi
Que não voltou?
Por que a cuca se escafedeu?
Para onde ela foi
Que me esqueceu?

...

“Dorme, dorme, menininha,
Já chegou a escuridão...”
*



Magna Santos



* musiquinha adaptada do poema 'Mãe Preta' de Patativa do Assaré.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

REMOTO CONTROLE

Muitos nessa altura buzinam anunciando o time vencedor. Ela, que acaba de ler o Poema em Linha Reta do Pessoa, não se identifica com o buzinaço, nem tampouco com o silêncio dos derrotados. Não se identifica com esse gosto pela disputa, embora, muitas vezes, se comporte como uma briguenta contumaz.

Ah, se soubessem do aperto que sente no peito, certamente teriam piedade dela. A raiva indigesta perambula sem achar abrigo, porque não há de encontrar no seu coração benfazejo que se angustia por não poder dominá-la.


A náusea a consome há dias. Vomitou injúrias acumuladas na hora errada. Foi julgada como fútil e desequilibrada. Perdeu a razão. Entristeceu-se tanto que teve mais raiva ainda. Defesa de quem viveu na selva por muito tempo. Hoje não vive mais, porém guarda-lhe a experiência.

Quando terá sossego não sabe. Quando pensará antes de falar...já fez isso tantas vezes que pensou que podia ousar. Errou. Pecou pelos extremos. Foi de um polo a outro num átimo que lhe custou a paz.

Resta-lhe o controle nas mãos. Há de mudar de canal. Há de sintonizar com o dia, com o sol e o tempo bom. Chega de trovoadas dentro do peito.


Magna Santos