terça-feira, 3 de novembro de 2009

OLHOS ABERTOS

O nunca terminou num suspiro. Desfez as malas já em novo território. Aqueceu as arestas para sorrir melhor. Não esgotou as fontes do inverno, pois é sempre bom tê-las em dia para renovar o aquecimento. Também descolou três cestas para sorti-las de coisas. Uma para o dia, outra para a noite, outra maior ainda para a madrugada. Amanheceria límpida, igual ao lago que molha as crianças. Venderia sorrisos a preços banais: um por duas piscadas, três por quatro abraços. Não sobraria um, pois seu coração estava generoso. Bolsos cheios, voltaria com mais e mais e mais...até nutrir a humanidade inteira.

E assim foi.

Até acordar com um beijo de criança e perceber que poderia ser ainda melhor.


Magna Santos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

OLHOS FECHADOS*

E hoje eu vi a face da morte.
Sorriu para mim
Em pleno inverno
Deitou-se no chão
E me falou de saudades
Apertou meu coração
Depois chorou
E eu sorri
Para não falar.
Hoje vi a cara da morte…
Era feia
E bela
E feia de novo
E bela outra vez
Até que fechei meus olhos
E nunca mais os abri.

Magna Santos

*Palavras dedilhadas a partir da leitura "Cantiga para Laura Avellaneda Santomé" do blog Razão e Poesia de Gustavo de Castro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MIGALHAS DE UM CASAMENTO

Ela me mandou um pedacinho da alegria e eu me fartei! Tanto que terminei em lágrimas a leitura de um amor declarado, pronunciado, vivido com poesia contagiante. Ela que nem me conhece, generosamente, me fez conhecer um pouquinho do que foi seu momento mais especial.

Amizade é sentimento muito nobre para termos por quem não deu provas dela, assim, não posso dizer que sou amiga deles, não tenho a menor intimidade com eles, mas fica por minha conta e cota de enxerimento hoje dizer que eles são meus amigos. Já a conhecia pelas lindas letras em Barro Cru. Ele, há bem mais tempo: pelas palavras em Estuário (desde a época do JC), por uns encontros desencontrados em virtude de um convite para dividir palavras com um grupo de cabeças brancas, muitos emails trocados e uma visita inesquecível a sua eterna e acolhedora tia Floceli.

O casamento ocorrido no último sábado parece ter contagiado a todos com uma alegria e um sentimento de "como vale a pena viver!", pois alguns blogs estão pipocando de felicidade e de referência à festa.

Assim declaro, de antemão, que não estive lá. Eu não vi a noiva entrar com a sobrinha linda. Não vi o noivo molhar a barba com lágrimas de emoção. Eu não vi os inúmeros amigos inundarem os corações de felicidade pela presença do amor. Não vi também a decoração feita pelas amigas, tornando uma das ruas do Poço da Panela ainda mais bela. Ah, eu não degustei o arrumadinho caprichado que mãos amigas fizeram. Não pude nem escutar os poemas salpicados como arroz nas cabeças dos noivos. Nem conheci Gustavo - o famoso amigo - a tilintar belezuras em forma de poesia.

Não é a primeira vez que escrevo sobre um casamento, já andei molhando os olhos por estas terras
aqui, com direito a lírios e tudo mais. Assistir ao amor só não é melhor do que vivê-lo. Porém, agora, não foi o casório de uma amiga íntima, como da outra vez e, principalmente, não estive lá. Mas, sinto que estou agora, porque a alegria deles é realmente contagiante. O email inusitado de Silvinha me fez parar na hora do almoço e querer dividir um pouco desse contágio com vocês. Vejam, leiam(quem ainda não leu), se inspirem, respirem e se fartem, como eu me fartei. Visitem quem esteve lá: Naire Valadares, Inácio França e Gerrá, eles lhes contarão muito mais, pois não tenho a pretensão de supri-los. Quase como a pegar as "migalhas" de um banquete, ficam estas palavras minhas. Porém, amanhã, quando eu acordar para mais um dia, vou saber que mais um casal está andando de mãos dadas neste mundo. E isto é maravilhoso!

Mais uma vez, obrigada, Silvinha, pela generosidade e perdão por este enxerimento.

Toda felicidade para Samarone Lima e Sílvia Goes!


Magna Santos

sábado, 17 de outubro de 2009

EPIDEMIA

Tempos atrás, após um comentário de Hérlon do Arqueologia da Alma sobre gostar da minha "veia poética", fiquei pensando sobre minha saúde artística (se é que posso chamar assim, mas por falta de nome, fica este mesmo). E, pela falta de inspiração e de tempo, nas quais estou mergulhada nos últimos dias, só me resta uma confissão: a minha veia encontra-se obstruída.

Acabo de visitar o Arqueologia e percebo que o mal foi igualmente confessado pelo autor do blog. Vou ao Inscritos em Pedra e o Josias encontra-se mais silencioso que a caricatura de um psicanalista. Ana Cláudia, do Ninho da'Ninha, está Lúgubre desde o dia 15 de setembro. Até o Samarone, que parece inesgotável nos assuntos, recentemente declarou-se sem inspiração. Então tiro a conclusão fatal: trata-se de uma epidemia.

Corram, portanto, aqueles que ainda não se contaminaram. Defendam-se como puderem, porque o caso é sério. Desse mal, creio, alguns já sabem do antídoto, mas a maioria não. Já ouvi falar que essa tal de inspiração é besteira, que escritor que é escritor não precisa da dita cuja, o negócio, dizem, é transpiração. Porém, isto só agrava minha situação, uma vez que não tenho essa petulância de me dizer escritora. Assim, confesso aos quatro ventos: preciso de inspiração, até porque transpiração em si não me tem faltado.

Enquanto meus colegas de infortúnio não me derem a solução, quero mesmo é encontrar um doutor-das-veias-poéticas-obstruídas para me fazer um cateterismo ou angioplastia urgente. Pagarei com letras e palavras serenas à vista, se achar melhor, pois a prazo também me custa. Não pedirei desconto ou regalias, só uma coisa, pelo amor de todos os poetas: deixe-me ir para casa logo. Perambular sem rumo, como estou agora, dá-me a sensação de que não sei para onde ir. Sim, porque estar com essa obstrução, acarreta tais sintomas: perder o rumo de casa, estar sem bússola e com uma venda amarrada nos olhos.

Contudo, a brisa, o vento e a luz que teima em penetrar na escuridão sinalizam que estou encontrando o caminho de volta. Em breve, chegarei. Chegaremos, amigos.

Magna Santos

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PROTEÇÃO NA BIENAL

Ontem fui prestigiar uma amiga no lançamento de um livro, no qual ela é co-autora. Cheguei cedo à Bienal, porém atrasada para assistir ao debate coordenado por Samarone Lima. Quando vi aquela cabeleira, quase lamentei não ter levado a cajuína que prometi a este cearense de coração pernambucano. Fica novamente pra próxima, Sama, acho que não seria uma boa ideia, em meio aos livros, oferecer bebida. Na verdade, acho que seria, mas tenho que ter alguma desculpa.

Cheguei de fininho, sentei-me ao pé da porta, sorri e acenei pro cabeludo sorridente de caderno e caneta nas mãos. Enquanto os outros falavam, ele não parava de escrever. Como escreve, Deus do céu! Lembrei do que ele diz nas suas crônicas e imaginei a tortura que seria se acabasse a tinta da caneta.

O debate sobre literatura na periferia era de motivar sorrisos. Gente simpática, cada um contando sua entrada no mundo da leitura. Todos de um jeito, desfilando motivos, mais que isso, transbordando o prazer de ler. O fundamental era o que eles estavam mostrando com esse prazer despretensioso: o envolvimento de todos com os livros. Meu pensamento foi longe e fiquei vagando pelos becos, onde se tentam marginalizar cabeças curiosas. Ali eles traziam bons argumentos para prender ou satisfazer as curiosidades, despertar interesses...sementes literárias derramadas aos montes; era isto o que Gabriel Santana (PE), Sergio Vaz (SP) e Sacolinha (SP) traziam. E traziam com a prática.

Não sei bem como terminou, terei que esperar a próxima crônica do Estuário para conhecer o final desta história. Com certeza, será minuciosamente contada, tendo em vista as anotações do coordenador. Lamentei, de fato, não ter também papel à mão, pois as frases que ouvi foram preciosas. Chegada a hora das perguntas, era chegada também a hora do lançamento do livro: "Vivenciando Penas e Medidas Alternativas" pela Editora Bagaço. Hora de partir. Ainda tive vontade de perguntar onde saber mais, ou como era salvar gentes, plantando palavras, mas não sei fazer nada na pressa. A melhor alternativa, portanto, foi sim matar o meu próprio desejo de prestigiar uma amiga. Além disso, participar de um lançamento já havia virado questão de honra, após eu perder dois que desejei muito ir, o último: Viagem ao Crepúsculo. Segui então toda feliz para abraçar amigas preciosas.

Confesso que ainda me sobra muita timidez para certas ocasiões, sou capaz de trocar de lugar com o garçom para ter onde botar as mãos; assim, foi providencial ficar de máquina fotográfica em punho para clicar todos os sorrisos possíveis, sugerir poses, exagerar na repetição de fotos etc. Acabei o evento mesmo foi conversando acocorada ao pé de um puf, pois o cansaço me pegou de jeito. Saí com alegria sobrando e um livro me faltando: Vivenciando Penas e Medidas Alternativas. Sim, isto mesmo. Só com amigos podemos ir a um lançamento sem comprar o livro, mesmo tendo que aguentar a mangação e todas a piadas possíveis. O livro, claro, é muito bom, porém a área fica longe da minha prática, mesmo que esta 'minha prática' tenha sido uma 'medida alternativa' muito particular.

Restou mesmo foi a sensação de que na bienal, assim como na vida, alguns temas se encontram, mesmo que aparentemente distintos. O trabalho com a literatura, mesmo que despretensioso, é uma bela e poética “medida alternativa” de viver a comunidade, de transformar consciências, de colocar o cidadão senhor do seu próprio eixo. Realmente, Samarone, “um jovem com livros nas mãos, anda mais protegido”.

Magna Santos

* VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Será até o próximo dia 12. Quem puder, vale muito a pena, está super super legal.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

OUVINDO GESTOS

Nesses dias que a cabeça anda vazia, só me resta um zumbido insistente no ouvido direito. Ou esquerdo? Ou os dois? É, a gripe realmente deixou sequelas. Vou ao otorrino que tem nome de bebida e vejo que nem sempre sei dizer o que sinto, se escuto bem ou mal...e saio de lá com 3 exames para fazer, porque médico não adivinha, ora bolas, no máximo, desconfia.

Embora tenha pedido pro médico repetir uma ou duas perguntas durante a consulta, só hoje, ao atender o telefone, percebi que um ouvido escuta melhor do que outro. Tudo bem que não somos simétricos em tudo, mas estou começando a desconfiar que minha audição não anda lá essas coisas. Porém se acalmem, porque estou longe de falar aos gritos para ouvir melhor. É só uma percepção sutil. Desta vez, ir ao médico me deixou com uma vontade enorme de escutar até sussuro de formiga, bater de asas de muriçoca, papel caindo ao vento etc. Estou me esforçando. Caso eu consiga ouvir qualquer destes, compartilho com vocês. Pena é não saber dizer direito o colorido de alguns sons. Bem que Pachelly Jamacaru poderia me ajudar com alguma fotografia de sons, com a criatividade dele, certamente conseguiria demonstrar em imagens o que o som traz em sensações.

Ando talvez atrasada em algumas conclusões, só agora me ocorreu que o som tem imagem. Sim, acho que este é o sentido da libras - língua brasileira dos sinais. Imagino que todos já sabem como é o aplauso em libras. São as mãos para cima e tremendo. Assim escrevendo não tem a menor graça, bonito mesmo é ver. Acabo de encontrar um site com um
dicionário da libras. Lá vemos cada palavra ou, diria, cada som. Dêem uma olhada na palavra saudade. É linda. É uma mão fechada circulando o coração...e, creio, é assim mesmo. Já o preconceito são duas mãos abertas, achatando algo imaginário - outra imagem bem fiel. Ah, e poesia? É algo que vem do centro do peito e sobe com emoção, espalhando-se.

Acredito que a falta sempre traz compensações. No mês passado, trocamos umas ideias nos comentários (em 'quanto vale') sobre ela - a falta - companheira antiga de todos nós. E hoje a vendo sob o ângulo bem específico da deficiência física, entendo que ela pode ser uma oportunidade de desenvolver outros talentos, sentidos ou dons. Imagino que não deve ser fácil, sobretudo, na convivência com os que têm. Os audientes, que somos nós, talvez não percebam a importância do gesto, muito menos do toque, embora vislumbrem cada som do menor ao maior volume, do grave ao agudo. Percepções que geram conclusões, amigos, porque somos seres de falta sim, uma falta existencial que nos empurra pra frente, nesta incansável busca de completude.

Ah, mas eu não quero trazer lições, muito menos "filosofia". Eu queria mesmo era compartilhar esta minha pequena percepção, ocasionada por uma insignificante falta. Enquanto gestos geram palavras e oportunidade de comunicação para alguns, as palavras aqui apenas querem dizer de gestos que talvez nos faltem, ou melhor, me falte. Mas, deixem eu ir lá no dicionário da libras para saber como poderei desejar um bom dia com as mãos, afinal, acabo de descobrir que elas têm voz.

Que Deus abençoe, então, nossos ouvidos e nossas mãos!


Magna Santos

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A BORBOLETA E O PÓLEN ESQUECIDO

Era uma vez uma borboleta e sua família. Ela, Florzinha (como era chamada), adorava voar, não se cansava. Ou, se o cansaço a visitasse, dizia: "fui feita para voar". Passava dias assim, direto voando.

A família de borboletas, onde existem muitas asas, era muito querida na floresta e estava sempre muito tranquila. Verdejantemente, borboletamente tranquila até que, um dia, a notícia se deu: rastros da borboleta Florzinha foram encontrados em pleno sertão. Correram todos: borboletas, papagaios, periquitos e a passarinhada toda, inclusive, os que estavam no Reino das Asas. É que Florzinha, distraidamente, havia esquecido alguns pólens pelo caminho em uma região muito árida; ao voltar para pegá-los, um pequeno acidente se deu, e um dos pólens acabou alojado dentro da própria borboleta e ela adoeceu. Nunca, na face da terra da floresta, havia acontecido tamanha esquisitice.

Apressaram-se todos em encontrar rápido uma solução ao problema. E agora? Asinhas paradas, cores pálidas, antenas a captar pouca coisa...e agora? A mãe da borboleta estremeceu, as irmãs zumbiram dores, o príncipe da borboleta tremeu intimamente, muito intimamente para ninguém perceber que lhe faltavam forças, afinal, era um príncipe.

_ E agora? repetiam todos.

Foi aí que viram o que nunca imaginaram: devagarinho, Florzinha foi-se envolvendo nas próprias asas...até que um novo casulo se fez. Assim permaneceu durante muitos dias, enquanto os demais se revezavam em cuidados ou em amolar suas antenas para vibrarem melhor. E Florzinha lá, no casulo. O pessoal do Reino das Asas mandou avisar: "é assim mesmo, tenham calma! O Rei Maior está no comando!". E estava mesmo, pois depois de um tempo, o casulo foi cedendo, asas novas foram surgindo e uma borboleta mais bela nasceu.

_ O que foi feito do pólen? - perguntaram.

E o Rei Maior respondeu:

_ Um pólen nunca deixa de cumprir sua função. Ele sempre germina. E foi o que aconteceu.

Magna Santos

Para uma amiga que passou dias na UTI, vítima de uma forte pneumonia. Disseram que ela era uma fênix, mas parece que ela é mesmo uma borboleta com um pólen germinado em si mesma.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ALIÁS

"Aliás...". Foi como ele começou a carta. Já parecia teimar consigo mesmo ou com alguém que julgava contrário ao que pretendia expor.

Um tanto de displicência nas questões práticas da vida não escondia como de fato era metódico e articulado para alcançar seus objetivos. Parecia uma contradição ambulante de tão inconstante que se fazia com seus afetos, seus relacionamentos. Mas, não era nada disso. Queria, no fundo, um amor para ficar 'pro resto da vida', como intimamente dizia a si mesmo e só a si mesmo. Queria de verdade um amor tranquilo, sereno e apaziguador para acalmar as inquietações que trazia no peito, como se, de fato, isto dependesse de alguém e não de si. Era mesmo um grande inseguro pras questões do coração, não atinava para os próprios desejos quando diante de quem amava. Demorava demais a reconhecer um grande amor. Era isto. E só.

Ah, como começar uma carta dessas? Como voltar atrás? Ela não aparecia há exatos 10 dias...um telefonema, uma mensagem, um recado, nada. Nunca se sentiu tão impotente diante de uma ausência. Sentia-se igual menino orgulhoso, totalmente sem jeito diante do vacilo. Pois bem, pensou, já era "homem feito, maduro, senhor de si". E repetiu isto várias vezes como uma espécie de mantra, na tentativa de convencer a si próprio.

Amassou o papel com o 'aliás' ridículo. Distante demais seria um papel e algumas palavras. Riscos demais para palavras erradas. Pegou o telefone e sem pensar discou o número. Ela atendeu no primeiro toque, reconhecendo a hesitação do outro lado da linha. Já o conhecia há bastante tempo para identificar até sua respiração, mas estava cansada e decidiu também guardar silêncio. Foi então que aquele homem feito...feito menino falou com toda convicção que pôde reunir nos 10 dias de forçado exílio:

_ Sim, eu aceito. Aliás, se você ainda me quiser - resolveu consertar.

E foi assim que um menino novo nasceu, apesar de piegas, apesar de ridículo. Ridicularmente feliz...aliás, como são os finais felizes.


Magna Santos

sábado, 29 de agosto de 2009

RAPUNZEL DO SERTÃO

E assim Rapunzel ficou esperando seu príncipe
Sem tranças
Sem ilusões
Ou fantasias
E para escapar da agonia
Plantou flores de plástico ao sol poente
Nem toda dor decorre da gente
Nem toda cor retrata a lente.


Estas foram algumas palavras escritas a partir desta fotografia. Sementeiras está quase criando uma série pras parcerias com Pachelly Jamacaru, ou melhor dizendo, para as caronas inspiradas nas imagens captadas por este artista (sempre muito generoso comigo, sem ao menos me conhecer pessoalmente).

Apesar de arriscar tirar um pouco do proposto acima, eu não poderia, desta vez, publicar as palavras que me vieram, sem traçar um pequeno paralelo do que acredito ser a realidade da imagem, com base no meu conhecimento do povo sertanejo, do qual faço parte. Fico imaginando o que esta senhorinha diria ou sentiria se lesse o que escrevi... Ela, logo ela que acorda todo dia 4:30 da manhã, vê o sol nascer na serra, cata feijão, arroz, prepara o almoço, lava roupa, varre a casa...e assim permanece entre um afazer e outro até marcar as 18:00h, hora da Ave Maria, quando então se recolhe para agradecer o dia e a noite e pedir a bênção à Mãe Maior. Sim, assim mesmo, sem ilusões nem fantasias. Só calos nas mãos e uma gratidão imensa no coração.


Magna Santos

sábado, 22 de agosto de 2009

O MENINO GOLFINHO E O OLHO D'ÁGUA*

O menino golfinho
Dá cambalhotas no escuro
Sustenta o suspiro
Afunda melhor
Sobe de um fôlego só
Escorrega no abismo
E pra ser seguro
Solto
E passarinho
Lembra da fonte de nuvem
Que brota no chão
No fundo do chão...
Das águas.

Magna Santos

*A foto "O menino golfinho" é mais uma obra de Pachelly Jamacaru, o qual gentilmente autorizou a sua publicação. Foi tirada no Balneário do Caldas, situado na Serra do Araripe, em Barbalha-CE.