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quarta-feira, 9 de março de 2011

LACRIMEJANDO

Os cílios longos sempre me livraram de conjuntivites. Nunca soube o que era isso, mas eis que um vírus desbravador, igual aos antigos bandeirantes, me dá o ar da graça e também a oportunidade dos olhos avermelhados, inchados e lacrimejantes. Aliás, do olho, por ora está só no esquerdo, graças a Deus.

Acordar com o olho em lágrimas me lembrou quando eu chorava por apenas um...mas isto é outra história. Bom mesmo foi ver, estes dias, borboletas aos montes, rever gente querida e pensar que há muitas folias que não podemos imaginar, mas sustentar com nossas mentes ferozes e vorazes por bons sonhos.

Acordei com um olho doente, é certo, porém o outro continua são. O que me faz pensar que, enquanto tenho aos pares, acumulo vantagens. Assim, melhor cuidar de colocá-los pra dormir nesta noite que acelera as horas. Daqui a pouquinho uma menina completará uma data também par: 12 anos e nada pagará participar da sua alegria e animação por estar crescendo em busca dos sonhos germinados também aos pares, numa progressão geométrica espetacular.

Os dias, amigos, têm se fartado de mim. As letras têm adormecido sorrateiras nos meus dedos, mas a vida, embora não escrita, tem se deixado viver e me empurrado pra ela, mesmo que às vezes eu tente fazê-la dormir...não tem jeito, ela sempre dá um jeitinho de me acordar, mesmo que com o olho vermelho.


Magna Santos

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SÓ FLOR


A cabeça anda cansada, já não aguenta tanta tecnologia. Liga o monitor e aquela dor rotineira a visita. Os livros andam com as letras cada vez menores. "Melhor rever os óculos, devem estar desatualizados", teoriza para si mesma. Mas o fato é que não aguenta nada, absolutamente nada. Cansou de pensar. E foi aí que pensou como seria um dia sem pensar:

Um dia onde as gotas de chuva pudessem inundar o quintal e ela nem percebesse a juriti procurando o ninho encharcado.

Um dia onde as contas voltassem pro remetente e este se encarregasse de quitá-las, pois o destinatário estaria num destino impensante.


Um dia onde dormisse horas a fio e quando acordasse nem lembraria de existir, simplesmente, seria.


Um dia onde as pessoas não precisassem de conselhos nem lhe procurassem para respostas.


Um dia onde vomitasse todas as dores e não lhes retornassem ao apetite.

Um dia onde escorregar no erro fosse normal...sem culpa, sem dor.


Onde as lições fossem bem-vindas e os fracassos, festejados como marcas da tentativa.


Um dia onde os sorrisos fossem fora do comum...feito bobos, loucos, pouco convencionais.

"Ah, razão que aprisiona os sentidos!"

Um só dia...


Um dia:
onde, porque o quando não tem lugar para quem não pensa.

Um dia sem regras gramaticas nem ortográficas para não se obrigar a ter ideias sem acento...

Sim, um dia sem idéias.

Só flor, fruto e cor.



Magna Santos