Chegou numa manhã, quando eu ainda cochilava. Chamou-me de preguiçosa e emendou com outras tantas palavras que meus ouvidos sonolentos registravam a conta gotas: "você não tem noção...não sabe do seu tamanho...eu não faço nada".
Palavras escritas de próprio punho e lidas com uma emoção disfarçada. Seus 14 anos engrossaram a voz, eu não abaixo mais os olhos para olhar os seus, mas ele ainda cabe no meu colo e sempre caberá, por mais que cresça.
Uma chacoalhada nos neurônios me fez assimilar direito o que ele dizia, dirigido a mim, mas também à avó: "vocês não têm noção do tamanho do meu amor por vocês...fazem tanto por mim e eu não faço nada...que continuem me ensinando o caminho certo". Encerrava sua declaração em pleno dia das mães. E ele ainda pensa que não faz nada.
Hoje, depois de alguns dias, o vejo animado me contando a última descoberta. Seus olhos têm o brilho particular da alegria. Vibro com este espaço que nos envolve, o qual foi construído ao longo dos anos à medida em que brincávamos de qualquer coisa, que o colocava para dormir, que o buscava na escola, que assistíamos a diferentes filmes, que a conversa rolava solta, enfim, cotidianos, graças a Deus, não desperdiçados. Gosto de saber que ele conta comigo, antes mesmo de me perguntar qualquer coisa; a pergunta é apenas necessária para o agendamento, mas o "saber que pode contar" já é certeza e isto é uma bênção para qualquer ser humano.
Assim, que venham os dias. Como ele disse, talvez eu não tenha mesmo noção e ele também não. Mas, no meu caso, é bom não tê-la para não me achar melhor do que sou e também para me surpreender, quando acordar de uma cochilada.
Palavras escritas de próprio punho e lidas com uma emoção disfarçada. Seus 14 anos engrossaram a voz, eu não abaixo mais os olhos para olhar os seus, mas ele ainda cabe no meu colo e sempre caberá, por mais que cresça.
Uma chacoalhada nos neurônios me fez assimilar direito o que ele dizia, dirigido a mim, mas também à avó: "vocês não têm noção do tamanho do meu amor por vocês...fazem tanto por mim e eu não faço nada...que continuem me ensinando o caminho certo". Encerrava sua declaração em pleno dia das mães. E ele ainda pensa que não faz nada.
Hoje, depois de alguns dias, o vejo animado me contando a última descoberta. Seus olhos têm o brilho particular da alegria. Vibro com este espaço que nos envolve, o qual foi construído ao longo dos anos à medida em que brincávamos de qualquer coisa, que o colocava para dormir, que o buscava na escola, que assistíamos a diferentes filmes, que a conversa rolava solta, enfim, cotidianos, graças a Deus, não desperdiçados. Gosto de saber que ele conta comigo, antes mesmo de me perguntar qualquer coisa; a pergunta é apenas necessária para o agendamento, mas o "saber que pode contar" já é certeza e isto é uma bênção para qualquer ser humano.
Assim, que venham os dias. Como ele disse, talvez eu não tenha mesmo noção e ele também não. Mas, no meu caso, é bom não tê-la para não me achar melhor do que sou e também para me surpreender, quando acordar de uma cochilada.
Magna Santos