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domingo, 26 de junho de 2011

ENTRE FOGOS E PIPOCAS

Os fogos estouram lá fora, já se foi o São João, mas o barulho ainda persiste, contrastando com uma cidade deserta, quase fantasma se não fosse pela nossa própria presença. O cinema também descarta o deserto e assistir a uma película depois de um convite adolescente é algo assim de Deus. O último foi Avatar, quando o 3D me fez espantar um mosquito que achava estar no meu nariz. Risos até hoje:

_ Madrinha, não tem nada aí.
_ Ah...

Desta vez a censura foi 16 anos e ele já tinha assistido ao número 1. Filme em volumes e as explicações do lado para me atualizar em relação ao enredo. Maravilha! Quero mesmo é estar ignorante para receber estas informações ao pé do ouvido, tomando ovo maltine ou comendo pipoca com refrigerante, num típico programa de domingo em plena sexta-feira.

Então penso, com um sorriso no rosto, que quando um adolescente sente-se à vontade para chamar a madrinha para um cinema, é uma pista que a plantação foi segura e prazerosa, graças a Deus. O que mais querer? Só mesmo aproveitar e curtir o momento, agradecendo e trabalhando para termos mais oportunidades para perguntar e escutar tais palavras:

_ E aí, amigão, o que achou?
_ Massa, madrinha! Bom demais!

Bom demais mesmo, meu filho! Muito muito bom!


Magna Santos

segunda-feira, 24 de maio de 2010

SEM NOÇÃO

Chegou numa manhã, quando eu ainda cochilava. Chamou-me de preguiçosa e emendou com outras tantas palavras que meus ouvidos sonolentos registravam a conta gotas: "você não tem noção...não sabe do seu tamanho...eu não faço nada".

Palavras escritas de próprio punho e lidas com uma emoção disfarçada. Seus 14 anos engrossaram a voz, eu não abaixo mais os olhos para olhar os seus, mas ele ainda cabe no meu colo e sempre caberá, por mais que cresça.

Uma chacoalhada nos neurônios me fez assimilar direito o que ele dizia, dirigido a mim, mas também à avó: "vocês não têm noção do tamanho do meu amor por vocês...fazem tanto por mim e eu não faço nada...que continuem me ensinando o caminho certo". Encerrava sua declaração em pleno dia das mães. E ele ainda pensa que não faz nada.

Hoje, depois de alguns dias, o vejo animado me contando a última descoberta. Seus olhos têm o brilho particular da alegria. Vibro com este espaço que nos envolve, o qual foi construído ao longo dos anos à medida em que brincávamos de qualquer coisa, que o colocava para dormir, que o buscava na escola, que assistíamos a diferentes filmes, que a conversa rolava solta, enfim, cotidianos, graças a Deus, não desperdiçados. Gosto de saber que ele conta comigo, antes mesmo de me perguntar qualquer coisa; a pergunta é apenas necessária para o agendamento, mas o "saber que pode contar" já é certeza e isto é uma bênção para qualquer ser humano.

Assim, que venham os dias. Como ele disse, talvez eu não tenha mesmo noção e ele também não. Mas, no meu caso, é bom não tê-la para não me achar melhor do que sou e também para me surpreender, quando acordar de uma cochilada.


Magna Santos