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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

NOÉ FEIRANTE*

Seu nome é Noé
Já não precisa de mulas, barcos, nem dilúvio

Seu ajuste é com os caibos que alinha dia-a-dia

Na barraca itinerante

Persegue o sol que acorda nas manhãs

Adoça a vida com fruta e açúcar

Escuta os ruídos do mundo com ouvidos viajantes

Ele é Noé

Seu tabuleiro hoje reúne doces gêmeos...

Provas de um mundo fecundado

E ainda consegue se equilibrar com seu boné de gigante


Sim, ele é Noé!



Magna Santos


*A publicação da foto do Sr. Noé foi gentilmente autorizada pelo conterrâneo Pachelly Jamacaru, cujo blog é um rico sortimento de beleza. Obrigada, mais uma vez, amigo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

CHUVAS


Chuva no mar
Na serra
No Rio.
Chuva em quase todos os lugares
Há quem culpe os mortos e desabrigados
Por estarem mortos e desabrigados
A sensibilidade cede lugar à defesa
Quando a culpa fala alto.

País de muitas terras para poucos donos
País de muitas esperas

Enquanto as culpas são disseminadas
Enquanto os dedos em riste são usados
São Pedro e São José se compadecem do sertanejo
Gotas muitas, abundantes
Molhando sementes cansadas de esperar no chão ardente...
Chove no cariri.

Chora, semente, de alegria.
Chora, meu povo sofredor
Chora do alto
De longe
Do asfalto
De tristeza
De saudade
De coragem

Chora
Porque chorando
Chove
Dentro de si.


Magna Santos

*A publicação da foto foi gentilmente autorizada pelo fotógrafo Pachelly Jamacaru, cujo blog é uma "chuva" de imagens poéticas. Obrigada, amigo.