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terça-feira, 12 de julho de 2011

CÉU E TERRA

O céu desce à terra todos os dias
Coberto de asas
Esfumaça-se nas nuvens
Aconchega-se nas flores
E pousa entre colinas,
Mares
Terras

Sim, o céu desceu à terra
Um novo bebê nasceu
E outro
Após outro…
E outro ser subiu
Para descer depois que criar asas

O céu desce à terra
Por entre fios de telefones
Emails
Portas abertas
Sorrisos de amigos
Fraternos
Camaradas

Céu
Terra

Faces do sorriso de Deus.


Magna Santos

Inspirado na escrita do poeta Domingos Sávio do blog No Toitiço

domingo, 10 de julho de 2011

FRUSTRAÇÃO

Frustração é encontrar uma vaga para o carro
Estacionar
Tempos modernos...
Vagas lá fora:
Faltas lá dentro


Vontade represada
É dar só um abraço
Ao invés de quatro.

Para os amigos Domingos Sávio, Edgar Mattos, João Carlos de Mendonça e Arsênio Meira Junior.

Magna Santos

domingo, 26 de junho de 2011

ENTRE FOGOS E PIPOCAS

Os fogos estouram lá fora, já se foi o São João, mas o barulho ainda persiste, contrastando com uma cidade deserta, quase fantasma se não fosse pela nossa própria presença. O cinema também descarta o deserto e assistir a uma película depois de um convite adolescente é algo assim de Deus. O último foi Avatar, quando o 3D me fez espantar um mosquito que achava estar no meu nariz. Risos até hoje:

_ Madrinha, não tem nada aí.
_ Ah...

Desta vez a censura foi 16 anos e ele já tinha assistido ao número 1. Filme em volumes e as explicações do lado para me atualizar em relação ao enredo. Maravilha! Quero mesmo é estar ignorante para receber estas informações ao pé do ouvido, tomando ovo maltine ou comendo pipoca com refrigerante, num típico programa de domingo em plena sexta-feira.

Então penso, com um sorriso no rosto, que quando um adolescente sente-se à vontade para chamar a madrinha para um cinema, é uma pista que a plantação foi segura e prazerosa, graças a Deus. O que mais querer? Só mesmo aproveitar e curtir o momento, agradecendo e trabalhando para termos mais oportunidades para perguntar e escutar tais palavras:

_ E aí, amigão, o que achou?
_ Massa, madrinha! Bom demais!

Bom demais mesmo, meu filho! Muito muito bom!


Magna Santos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

TIJOLO POR TIJOLO

Costumamos receber emails de mensagens, emails assombrados, emails até evasivos, como somos, quando não queremos falar. Recebemos emails todo santo dia de gente à procura de um desconhecido, desaparecido, doente talvez. Recebemos emails, porque as caixas de correio, faz tempo, só servem para cobranças.

Agora, emails para dizer que está feliz, que saiu com o pai, andou a cavalo, estendeu seus olhos no horizonte e viu que a vida é boa...

Que saiu para almoçar com a família e gostou da comida e da surpresa que sentiu nas pessoas...

Email contando os planos sobre o plantio, sobre as compras na cidade e as paredes da casa nova que começa a erguer-se...


_ Em fevereiro - revela - provavelmente a casa estará coberta.

Eu de cá entendendo que muito mais está a se cobrir, a se erguer...tijolo por tijolo, telha por telha.


Como sobra, terás a paisagem do alto de tua casa, brincarás com os meninos à tardinha e pela manhã. Dormirás na rede com ela e acordarás com o menor te fazendo cócegas nos pés. Depois disso, teu maior já te esperará para contar a última descoberta, respondendo sem pestanejar de que cor sãos os olhos teus.


_ Teu afilhado não pára, está andando tudo tudo.
_ Eu sei, cumpade, eu sei - não sei como, mas sei.

E sei também que muito email desse irei receber. Emails e telefonemas, mesmo que te chamem no meio da conversa para atender o filho do morador que acabou de furar o pé no arame farpado.

Sim, doutor, eu também sei que este caminho não tem volta e mais tarde, ou mais cedo, sempre nos encontraremos, quando então descobriremos que nunca estivemos separados.


Magna Santos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

NA BANGUELA*

Acostumei-me a responder com raiva às minhas tristezas. Parada num abismo ou numa encruzilhada, deparo-me com incômodas faltas próprias, falhas compartilhadas e cobranças diversas. O cansaço se espalha invasor, tomando territórios, antes destinados ao sonho, ao devaneio criativo. A vontade de escrever não resiste ao peso nos ombros e nos olhos. Necessário trincar os dentes, não apenas para aguentar o tranco, mas para ter forças. A ATM já reclama, meu coração reclama, minha mente também. Assim, melhor parar de queixumes e olhar de frente o abismo...conversar com ele. Foi então que ouvi ao meu lado (quando os ombros pesam, teimamos em só olhar para baixo...ilusão):

_ Magninha, tu podes ir ver o Lenine no dia do meu aniversário? Quero os meus amigos comigo.

_ Claro.

Fomos lá: uma penca de amigos e o restante dos milhares sentados em suas poltronas à espera da atração da noite. O congestionamento rendeu mais de meia hora de atraso, porém as luzes foram apagadas e o palco ganhou outro charme, outra cor. Difícil explicar o que se passa no coração, quando constatamos aquele ganho inusitado, aquele estalo que diz: "meu Deus, é isso! Estou no lugar certo com as pessoas certas".

O sorriso de minha amiga valia dez shows e fiquei pensando que algumas pessoas realmente nasceram para serem pontes, fontes de união, de paz, de alegria. Isto dá uma esperança danada que renova, que trata, dá um chute de bico nas reclamações.

"Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa"

O pernambucano arrepiou a cearense:

"Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal pra alguém"

Das faltas que me sobravam, das cobranças que me atordoavam, uma necessidade ele lembrava, quem sabe, uma sugestão:

"Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara..."

É mesmo, Lenine, muito rara. Por isto, aproveito para comunicar: eu vou é na banguela, amigos.


Magna Santos

*descer a ladeira sem engate de marcha nem força, só no embalo do vento, da descida.