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terça-feira, 13 de julho de 2010

DESPERTA-DOR

As águas me levaram junto com as telhas, portas, janelas, paredes da minha casa. Nem parece que passei anos para construir o que tenho, tinha. Restou o despertador maluco a me avisar da hora veloz. Acabou tudo num instante, o instante do aperreio, do desespero, das crianças desamparadas, perdidas, dos velhos sem resistência para nadar, para subir nos lugares mais altos. Uma avalanche de água inundou nosso mundo. Falam que a tv mostrou tudo. Duvido. Não havia ninguém aqui, além de nós. Pensei em falar, mas novamente o despertador tocou na hora do choro, fazendo-me lembrar do muito por fazer. Por onde começar? Como?

Minha mulher já não tem o mesmo olhar de antes, minha filha descoberta chora, quando acorda em meio a cacos e adormece ainda procurando a boneca Soninha, levada pela enxurrada. À noite, a escuridão é pior, o frio também. Velas chegam nos caminhões. Escrevem-se neles 'rapidão cometa' para nos acalmar.

Entre lama e pedras, restos de tudo. Sobrou nosso olhar, nosso silêncio.


Vítimas se avolumam em abrigos improvisados. Pernambuco e Alagoas sofrem com a destruição nas últimas enchentes. Quem tem a oportunidade de passar pelas cidades sofridas, fala que os jornais não são capazes de transmitir a dor das pessoas. Olhos perdidos é o que mais se vê. Fica aqui os acessos à Defesa Civil de Pernambuco e mais sobre Alagoas. Neles há muita informação, inclusive, as contas bancárias para doações seguras, no caso dos que estão distantes.


Magna Santos