_ Magninha, tu podes ir ver o Lenine no dia do meu aniversário? Quero os meus amigos comigo.
_ Claro.
Fomos lá: uma penca de amigos e o restante dos milhares sentados em suas poltronas à espera da atração da noite. O congestionamento rendeu mais de meia hora de atraso, porém as luzes foram apagadas e o palco ganhou outro charme, outra cor. Difícil explicar o que se passa no coração, quando constatamos aquele ganho inusitado, aquele estalo que diz: "meu Deus, é isso! Estou no lugar certo com as pessoas certas".
O sorriso de minha amiga valia dez shows e fiquei pensando que algumas pessoas realmente nasceram para serem pontes, fontes de união, de paz, de alegria. Isto dá uma esperança danada que renova, que trata, dá um chute de bico nas reclamações.
"Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa"
O pernambucano arrepiou a cearense:
"Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal pra alguém"
Das faltas que me sobravam, das cobranças que me atordoavam, uma necessidade ele lembrava, quem sabe, uma sugestão:
"Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara..."
É mesmo, Lenine, muito rara. Por isto, aproveito para comunicar: eu vou é na banguela, amigos.
Magna Santos
*descer a ladeira sem engate de marcha nem força, só no embalo do vento, da descida.