Mostrando postagens com marcador dia dos pais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dia dos pais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESTRELA-GUIA

Vi um menino aprendendo a andar, pisoteando no ar em busca de equilíbrio. O pai lhe falava: "isto, filho, isto! Venha, meu menino, vamos". Mãos pequenas seguravam uma imensidão de alegria. Estava seguro. Na verdade, ali nem sabia o que era insegurança. Não aprendera ainda esta palavra, nem conhecera esta sensação, a não ser na hora do parto. Desde que sua mãe lhe segurou, pronto, o mundo havia voltado, se aquietado, posto fim aquilo tudo que ele não sabia nomear, mas que o expulsava de um lugar tão quentinho...

Estava ali agora, noutro lugar quente, seguro: as mãos do seu pai.

O gramado lhe convidava a correr, mas não podia ainda. Dois passos e buft. Às vezes, até achava engraçado quando caía, mas os olhos maternos aumentavam tanto de tamanho que ele intuía ser algo perigoso. E o pai: "levanta, filho, vem cá!". Então ía cheio de vontade.


O sol lhe aquecia a pequena cabeça. As mãos lhe seguiam também os passos e os pés lhe pareciam tão preciosos que, vez ou outra, tinha a vontade de retomá-los na boca. "Pare com isso, meu filho!".

Brincadeiras na tarde inteira - ele e o pai - fizeram o relógio correr e o mesmo sol deitou-se para dormir, colorindo diferente o céu, antes tão azul. Que mundo grande este! Enorme! Terra de gigantes!

E o pai a lhe rodear os passos, aproveitou para lhe mostrar a primeira estrela. E ele, menino, a enxergar duas estrelas bem grandes...nos olhos do pai.


Magna Santos

sábado, 7 de agosto de 2010

ANTES QUE CHEGUE DOMINGO

Antes que chegue domingo, eu queria te dizer que aquela dor passou. Não tenho mais raiva de ti, não acordo mais chorando por não conseguir te ver, nem forço a mente para recordar os detalhes do teu rosto.

Não lamento mais teus cabelos não terem branqueado, nem tuas mãos, enrugado. Não. Algumas rugas já começam a me aparecer, dizendo-me que é bom, mas nem sempre necessário.

Sim, pai, estou aqui. Me acostumei a dormir sabendo da tua existência.

Antes que chegue domingo, quero te dizer que sempre te espero, mas não no presente. Te espero no futuro, quando meus pés tiverem caminhado o suficiente e os teus puderem voltar. Te espero no futuro, quando minhas mãos virarem vento e tiverem calos de uma plantação, espero, produtiva.

Te espero naquele dia que um dia há de vir. E, mesmo que não seja um domingo, te abraçarei com amor ao te ver ao meu encontro. E minha cabeça branca sorrirá, quando vir, surpreendentemente, que a tua também branqueou.


Magna Santos