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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

FRESTAS

Lacrei as portas
Fechei as janelas
Visguei fechaduras
Apaguei luzes
Não saí mais

Ele entrou pelas frestas
Abriu as cortinas
Aqueceu minha casa
Leu minhas entranhas
Soube tudo de mim

Tanta coisa de uma vez
Tanta coisa...

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Hoje não acerto mais o trinco
Estou à espreita
Com medo
(Desejo)
Que ele volte

Já desarrumei as gavetas
E voltei a arrumá-las uma porção de vezes
Me ocupo de pequenas tolices
...
Quem sabe, assim, eu esqueço
Quem sabe
Assim
Esmoreço


Magna Santos

domingo, 10 de julho de 2011

FRUSTRAÇÃO

Frustração é encontrar uma vaga para o carro
Estacionar
Tempos modernos...
Vagas lá fora:
Faltas lá dentro


Vontade represada
É dar só um abraço
Ao invés de quatro.

Para os amigos Domingos Sávio, Edgar Mattos, João Carlos de Mendonça e Arsênio Meira Junior.

Magna Santos

quinta-feira, 14 de abril de 2011

SEM BÚSSOLA

Depois de um dia deparando-me com a dor alheia, sobrou-me pouca coisa ou quase nada para ofertar a quem quer que seja. Escapo para os amigos, antigos amores, só solidão. Escapo para o ocaso, só compaixão.

Escapo entre dores e amores.

Chego aqui e esta terra úmida tem tanto de mim...


Deito e descanso.

Ao menos Oswaldo me dirá algo amanhã. Ao menos ele poderá me falar que "a vida é bola de gás, segura a corda com a mão". E caso eu não consiga entender, ele completará:


"A estrada sempre tem luz
o amor tem sempre razão
quando a alegria conduz
não importa qual direção"

Por isto, vou esquecer da bússola e vou, vou me deixar ir.


Magna Santos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESTRELA-GUIA

Vi um menino aprendendo a andar, pisoteando no ar em busca de equilíbrio. O pai lhe falava: "isto, filho, isto! Venha, meu menino, vamos". Mãos pequenas seguravam uma imensidão de alegria. Estava seguro. Na verdade, ali nem sabia o que era insegurança. Não aprendera ainda esta palavra, nem conhecera esta sensação, a não ser na hora do parto. Desde que sua mãe lhe segurou, pronto, o mundo havia voltado, se aquietado, posto fim aquilo tudo que ele não sabia nomear, mas que o expulsava de um lugar tão quentinho...

Estava ali agora, noutro lugar quente, seguro: as mãos do seu pai.

O gramado lhe convidava a correr, mas não podia ainda. Dois passos e buft. Às vezes, até achava engraçado quando caía, mas os olhos maternos aumentavam tanto de tamanho que ele intuía ser algo perigoso. E o pai: "levanta, filho, vem cá!". Então ía cheio de vontade.


O sol lhe aquecia a pequena cabeça. As mãos lhe seguiam também os passos e os pés lhe pareciam tão preciosos que, vez ou outra, tinha a vontade de retomá-los na boca. "Pare com isso, meu filho!".

Brincadeiras na tarde inteira - ele e o pai - fizeram o relógio correr e o mesmo sol deitou-se para dormir, colorindo diferente o céu, antes tão azul. Que mundo grande este! Enorme! Terra de gigantes!

E o pai a lhe rodear os passos, aproveitou para lhe mostrar a primeira estrela. E ele, menino, a enxergar duas estrelas bem grandes...nos olhos do pai.


Magna Santos