quinta-feira, 6 de outubro de 2011

FRESTAS

Lacrei as portas
Fechei as janelas
Visguei fechaduras
Apaguei luzes
Não saí mais

Ele entrou pelas frestas
Abriu as cortinas
Aqueceu minha casa
Leu minhas entranhas
Soube tudo de mim

Tanta coisa de uma vez
Tanta coisa...

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Hoje não acerto mais o trinco
Estou à espreita
Com medo
(Desejo)
Que ele volte

Já desarrumei as gavetas
E voltei a arrumá-las uma porção de vezes
Me ocupo de pequenas tolices
...
Quem sabe, assim, eu esqueço
Quem sabe
Assim
Esmoreço


Magna Santos

8 comentários:

Ilaine disse...

Ainda que lacremos as portas, haverá sempre uma frestinha por onde o amor poderá entrar. E depois... espreitaremos nossa esperança por ela.

Magna!
Sua escrita, sempre especial, sempre profunda. maravilhoso te ler. Obrigada por isto.

Beijo

EDGAR MATTOS disse...

Feche portas, ponha guizos
E o Amor perguntará
E daí, e daí ?
Ninguem pode trancar seu coração

tesco disse...

Discorria um dia sobre o apreço:
Dizia que só tenho o que mereço.
Mas não esqueço, nem esmoreço,
a vida é um eterno recomeço.
_Beijos.

Canto da Boca disse...

Nossa, Magna, você está impossível!
Uma pena afiada e cheia de referências, a mim por exemplo me fez lembrar do meu amado Chico, em Teresinha: "O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito posseiro
Dentro do meu coração".

Eu sempre torço para que o sol, os raios da lua, o amor, entrem pela greta e transforme tudo, nos transforme todas!

Beijão!

Poeta Carlos Maia disse...

O amor lhe deixou com a alma nua!

Belíssimo!

Beijos!

Magna Santos disse...

Sinceramente, deparar-me com os comentários de vocês...é um banho de suavidade na alma.

Ilaine, você está certíssima, embora sempre tenhamos o poder de enxergar ou não.

Edgar, meu querido amigo, nosso coração é apenas nosso...e, às vezes, tenho minhas dúvidas. Teu "e daí" responde a muita coisa.

Roberto, adorei a rima com o "recomeço". Perfeita.

Boca, danada, que maravilha de lembrança de Chico!
Estou junto contigo nessa torcida, na verdade, é minha crença.

Carlos, creio que a poesia sempre nos deixa mesmo meio desnudos, é uma forma de nos aproximar da beleza original.

Muito obrigada, amigos.
Abraços e beijos a todos.
Magna

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Este seu poema dá a sensação de quando a gente toma uma café forte demais e o coração, melado de cafeína, nos impulsiona a uma ansiedade sem porquê. Procuro ouvir música em ocasiões assim. A paixão é um alvoroço mesmo, a nos deixar à-toa pela casa, pelo tempo, sem saber o que é cansaço ou ternura.
A escrita de Magna dispensa, na maior das vezes, um comentário; a escrita de Magna é contemplação para a alma, quando o que se sente se torna indizível por falta de palavras que o faça dignamente.
Deus te encante sempre!
Abraços.

Magna Santos disse...

Muitíssimo obrigada, meu amigo Hérlon.
Que Deus te abençoe pela generosidade.
Mas não diga que dispensa comentários. Nâo faça isso comigo não, danado. Como fico sem ter o retorno de vocês?
Abração!
Magna