quarta-feira, 17 de junho de 2009

QUERERES

Depois de uma 'viagem' e de uma 'falta' inesgotável, hoje queria mesmo escrever algo simples, falando da vida, da alegria, do correr dos dias, do traçar do destino, como bem fizeram os adoráveis Samarone Lima e Luna Freire. Ah, eu queria falar com simplicidade da simplicidade. Queria contar das cores que vi hoje assim que acordei, do atraso que me permiti chegar ao trabalho, do bom dia que não hesitei em desejar, apesar do silêncio respondido.

Queria dizer que meu coração ficou apertado o dia inteiro por pensar os problemas alheios, quando os meus nem sempre sei resolvê-los. Não, não queria falar de problemas. Quem sou eu para trazer problemas para alguns olhos generosos que visitam estas terras atrás de sementes felizes.

Queria mesmo era falar de alegria. Da visita inusitada que também me permiti fazer a uma amiga no meio da manhã, para falar da vida, das perguntas da vida e da total falta de respostas. Queria dizer que almocei um feijão verde delicioso, temperado com muito papo, com risadas e histórias das mais diversas. Queria contar que existem adolescentes pensando sobre a vida, renunciando à festa de 15 anos para levar mantimentos a esfomeados de esperança. Ah, eu queria repetir esta história uma porção de vezes, porque é maravilhoso poder lembrá-la.

Queria também contar que existem crianças que encaram com naturalidade a morte, não porque seja seu cotidiano, mas porque é - a morte - mesmo natural, apesar da saudade que deixa em quem fica. Quem sabe as crianças se despeçam melhor do que os adultos, porque acabaram de chegar a este planeta de pontos finais, trazendo na bagagem tantas exclamações quantas cabem nos bolsos. Queria informar que, de vez em quando, mergulho profundamente nas interrogações e reticências, saindo com muitas exclamações enganchadas nos bolsos e cabelos. Lá no fundo tem mesmo uma porção delas. Pode acreditar!

Queria confessar como fico feliz quando me ligam para contar que estão com saudades e que lamento o relógio ser ingrato aos encontros, porém continuo querendo aquele sorvete, mesmo se o tempo estiver frio.

Queria pedir desculpas pelas palavras que não sei escolher direito, quando tento me definir, pois ainda não tenho definição.

Gostaria (só para mudar um pouco o verbo) de me estender nas histórias de como foi meu dia, contudo o sono me convida a sonhar mais para que eu viva muito mais, quando acordar.


Magna Santos

8 comentários:

Ana disse...

É sempre um presente ler o que você escreve. Demais disso, o tempo nem está tão frio assim...
Bjs enormes

A Fernanda disse...

Olá Magna!

Obrigada pela visita e concordo contigo...o amor tem me embalado! =D

Abraço apertado!

Luna Freire disse...

A felicidade, eu penso, está aí: nestas coisas simples de nosso destino... Hummm! Você me deu vontade de tomar um sorvete...

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Seus posts sempre simples e profundos!
Amiga, sinto falta do seu perfil no seu blog! Divulgue para nós um pouco mais da Magna Santos. Ah, quero seu e-mail para contato, preciso trocar algumas ideias com você! Abraços.

Eduardo Trindade disse...

Doce Magna: nem sempre é simples falar de coisas simples. Querias falar de tantas coisas...
Pois conseguiste! Na medida exata, sem tirar nem pôr! Tua crônica está sublime, leve sem ser superficial. Gostei bastante mesmo.
Abraços!

Marina disse...

Lembrou-me uma bela música de Caetano. Bom mesmo é falar de alegria.

Saudade de você, querida.

tesco disse...

Pois é, Magna, um 'bom dia' sincero não espera resposta, vai como é, um desejo de bem-aventurança para o próximo. Assim é o que lhe desejo, muita sorte e felicidades! Continue ganhando no sortesco, que essa é a finalidade dele. _Beijos.

Josias de Paula Jr. disse...

Um crônica que finge não realizar o que de fato realiza! Fantástico. Por trás de cada "queria poder escrever...", com um quê melancólico de quem não alcançará o objetivo, está cada pedrinha do caminho que te leva ao... objetivo!