terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PASSARINHO

Como deve ser um coração de passarinho?
Igual as asas?
Como deve ser sua vida por entre nuvens...?

Libertário, quero te ter comigo
Já que não posso ser como tu

Mas, como sonhar é o possível
Me faz passarinho
Me deixa voar
Por entre as campinas
Do dia e da noite
Do luar

No céu estrelado
Quero flutuar

Como queria ter asas, meu Deus!
E ver o solo bem longe de mim
Como queria ter peito
Pra cantar todas as canções que soubesse
E as que ainda pudesse inventar

Bico de pena
Bico de aço
Bico de tucano
De gavião
Bico de bem-te-vi
Que já nasceu abençoado
Beija-flor, estou aqui
Leva-me contigo

Chorar eu preciso
Por tudo o que não consegui ser
Por tudo o que ainda vem
E por tudo o que nunca chegou.

Coração de passarinho
Não fica no solo acorrentado
Não fica espremido
Nem amedrontado

Coração de passarinho...
Voa também.

Escrito em outubro de 2005.
Magna Santos

2 comentários:

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Ai, a liberdade dos pássaros - utopia de Ícaro.
Nem temos asas e,no entanto, há tantas coisas nesta vida que nos libertam.
Lindo poema.

Ana disse...

Lindíssimo, Magna. Mas olha direitinho no espelho. Mire-se. Todos nós, que temos a liberdade como lema, a sensibilidade por dote, e a alegria por merecimento, somos donos de belíssimo par de asas. Enormes, viajantes, Fortes. Somos todos Ícaros bem-sucedidos. E que música mais você quer cantar que não possa? Pensa bem: esse teu poema é um belo canto.
Abraços, e um 2010 de Quero-Quero para você!