terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

INSÔNIA*

Houve tempo em que dormir era um grande privilégio ...
Houve?
Acho que esse tempo é agora.
Levanto-me, saio, sento, assisto
à TV
Ao computador ...
... à minha vida.

Espera ansiosa por um dia que não vem.
Esqueço que estou dormindo
Para me acordar em tempo.
Quanto tempo falta?
Quantas horas durmo?
Será que eu acordo?
Será que estou sonhando?
Seria um pesadelo?
Um sonho exótico
De um país vizinho,
Vizinho ao meu.
O continente está perto de ser deslocado
Como a África das Américas.
Quanto tempo levou?
Continentes estranhos
Sonhos distintos
Ideais distintos.
Sadios, absurdos.
Eram irmãos.

E o globo se põe a girar
E a hora a passar
Correr ou se arrastar.

Luzes apagadas no edifício vizinho
Lá, por certo, dormem
Serenizam, sonham
Se eternizam
Nesse tempo absurdo
Que não volta mais...
Quando o sol surgir
Vou perguntar:
“_Onde esteve
Que não aqui?”



Magna Santos

*Escrito em 2002.

Um comentário:

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Stefan Zweig, um alemão que viveu aqui no Brasil parte de sua vida, escreveu: "Hoje não há mais sono no mundo, as noites e os dias são tão longos..." Não sei, não sei; mas seu texto me fez lembrar dessa passagem do Zweig, um trecho que se eternizou em minha memória e o seu texto parece ser o filme que meu cinema tem projetado ultimamente.
Suas sementes me fazem um bem tamanho!
Abraços.