segunda-feira, 5 de julho de 2010

MUDA DE UM PÉ DE SERRA

Após retornar de viagem, mais uma muda me chegou, primeiro lida ao telefone, para depois me vir às mãos. A voz quase entalou ao escutá-la, mas era também aniversário do autor e urgia eu terminar os parabéns para depois pensar no choro. Mais uma vez, arrisco-me a publicá-la sem autorização, pois tenho aprendido que emoção boa deve ser compartilhada. Aqui está, então, um dos acontecimentos que muita felicidade me deu nos útimos dias: a comemoração dos setenta anos de minha mãe, cuja oportunidade reforçou a gratidão pelo meu avô(meu avohai) - velho lunduzento muito amado, pela minha avó - mão amorosa, cuja semente cheira a jasmim - enfim, por todos os seus rebentos.

A emoção foi tamanha que me calou os dedos, daí tomar emprestado os do meu irmão (dizem que é primo) para explicar meu silêncio. Como ele já me disse que Sementeiras é também minha sala de visita, tomo esta liberdade. Obrigada, cumpade. Talvez, nos próximos dias, eu publique algumas linhas que saíram a pulso sobre o Ludovico - meu pé de serra mais caro.


PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Festa de aniversario era confraternização, era uma celebração pelos frutos de uma semente saída da violência da Aurora, desbravou a Amazônia e os seus seringais, desceu rio abaixo numa canoa e descansou num chalé às margens do rio salgado, terminando por se firmar no solo fértil da antiga ilha dos macacos, que em homenagem a um aristocrata passou a ser Ludovico.

Festa, reunião de gente que se gosta, mesmo que às vezes esqueça disso, junta com coisas como o velho jasmim-laranja - irmão também - e aqueles bancos antigos de momentos tristes e alegres, cúmplices das nossas conversas. E o alpendre velho como sempre nos abrigando, nos abraçando com as suas lembranças de todos e de tudo. Não tínhamos alguns que poderiam responder “presente”, mas acho que sorriam chorando, assim como os seus.

Eita, meu querido, meu amado velho lunduzento, nem o conheci fisicamente, mas sinto a sua herança dentro do meu peito, o amor pelos nossos. E o apreço pela sua retidão moral, indiscutível caráter, afeito ao trabalho e ao cuidado com a família. Nunca o vi com os braços cruzados para trás, temperando a garganta com a fronte franzida, nos dias de destempero, mas até tal sabor provei sem conhecê-lo, pois o trago comigo.

Os seus rebentos já passaram dos sessenta, setenta e outros dos oitenta, mas continuam sendo o Ciço Camaleâo, o Oi de Cobra Morta, a Oi de Pitomba Lambida, a Galinha Carijó, o Quebra queixo, a Maria Pimenta, o Venta de Bezerro Novo, o Zé Coquin, o Malota, todos, embora distantes, por vezes, ao aproximarem-se demonstram todo amor que sempre os uniu, principalmente nas dificuldades. São todos crianças crescidas cercadas por suas proles.

Não tenho palavras para expressar a alegria de fazer parte desta saga, mas despertado pela iniciativa de dois brilhantes irmãos de berço e coração, sendo primos de sangue, sei da necessidade de celebrarmos sempre a nossa história, a nossa união, o nosso amor por nós mesmos. E deixarmos a carcaça da ignorância, as farpas dos conflitos e o egocentrismo de lado. É tempo de oxigenar as relações desses rebentos, para que possam envelhecer com o mesmo sentimento que cresceram.


Halano

12 comentários:

Luna Freire disse...

Eita, que o apreço pelas palavras é bem de família!...

Anônimo disse...

Há algum tempo eu não andava por esse blog, tia...

E que alegria imensa ler essas palavras que, mais do que sobre o aniversário de Tia Dilza, tratam do AMOR e UNIÃO que essa família tem, e que Deus quis que, de uma forma ou de outra, minha mãe fizesse parte, conseqüentemente meus irmãos e eu.

Quanto alegra meu coração quando vejo todos reunidos... Quanto agradeço a Deus por ter a chance, todos os anos, de ver todo mundo junto, FELIZ.

Que Deus nos permita isso por muitos e muitos anos... =)

Saudade, tia...

beijão, pixota!

Iamara.

Magna Santos disse...

Iamara, que alegria a minha de receber teu comentário aqui. Você não faz ideia.
Pois bem, a alegria é mesmo de todos nós.
Mas, preste atenção, sua mãe e vocês fazem parte não é "de uma forma ou de outra", é de todas as formas, entendeu?
O bom mesmo é ver que o que esses de cabeça branca lutaram tanto pra
plantar, já vemos nascer nos mais recentes: os que assinam neto no final do nome que só se contentam, quando podem levar um atrativo pros primos distantes se divertirem...coisas que emocionam.
E você (não se preocupe: vou falar seu apelido) acaba de me dar mais uma emoção. Aproveita e mostra a tua avó, quero ver "foló" chorar.
Beijão em grandão!
Magna

Magna Santos disse...

ops, corrigindo: NÃO vou falar seu apelido.

Dois Rios disse...

Magna querida,

Família é raiz de amor que a gente nem sabe bem quem plantou, mas que vai passando de coração pra coração, se alastrando, crescendo, florindo e dando frutos.

Família é respaldo, união, divisão de dores e multiplicação de alegrias e aconchegos.

Família, minha querida, é essa árvore frondosa que você tem.

Deixo um beijo carinhoso para a sua mãe pelos seus belos 70 anos e também pela filha linda e doce que ela tem.

Que bom que você voltou! Senti falta da sombra fresca das suas Sementeiras.

Um grande beijo,
Inês

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga.

Há palavras
tão impregnadas de ternura,
que apenas os
olhos podem contemplá-las...

Dias de paz para ti.

Srª Mendez-Calafange disse...

Nossa, que coisa gostosa é experimentar o aconchego acolhedor da família! Um calor gostoso, que quando a gente deita nesses braços não quer mais levantar!

Cheiro!

Beta Martins disse...

Magna querida
Apelidos autênticos ,netinhos criativos ,valeu a saída de Aurora...Parabéns a amiga Dilza(será ela a Maria pimenta?)
Bjokas
Beta Martins

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Você tá parecendo a Dorothy do Mágico de Oz, só que sob o filtro da luz do sertão. Não mesmo lugar como o nosso lar.
Abraços ternos.

Magna Santos disse...

Inês, é bom quando a gente encontra afinidades. Você é uma delas. E obrigada pela gentileza.

Aluísio, muito obrigada. Para você também muita paz!

Borboletinha, bem que a gente tenta não se levantar, mas é o jeito, porque também é bom voltar.

Beta, os apelidos foram eles mesmo que inventaram uns pros outros, quando eram crianças. Faz um tempo, temos procurado resgatá-los todos um a um. E tu és boa também em apelido, pois foi em cheio no de mamãe. Agora adivinha quem é "venta de bezerro novo"?

Hérlon, adorei a comparação, embora fiquei pensando o que Halano seria. Eu estou distante, ele lá e falando do momento presente e do passado presente também.

Abraços.
Obrigada.
Magna

Beta Martins disse...

O "tio" Afonso so pode!
bjos da advinha Betakkkk

Magna Santos disse...

Acertou em cheio. kkkkk Vou dizer a ele.
Beijos.
Magna