segunda-feira, 19 de julho de 2010

PESADELO

Silêncio
Eles dormem
Todos dormem

A escuridão lá fora...
Rodas em movimento
Postes se acendem
Mostrando o caminho
Esquinas e mais esquinas
Vazias de gente

Todos dormem

O pesadelo espreita aqueles que roncam
Assustam-se com eles
Eles se assustam

Os sonhos não são lembrados
Esquecidos
Ficam no sono
Como se não sonhassem
Como se desaparecessem
Ao dormirem

Silêncio!
Preciso de sono
Ou de um carro
Para chegar a algum lugar
Para me deter em algum canto


Magna Santos

4 comentários:

Srª Mendez-Calafange disse...

Nossa! Pareceu uma coisa assim meio angustiada...

Magna Santos disse...

Sim, borboleta. Noite inteira sem dormir e sem motivo nenhum, apenas falta de sono.
Mas, às vezes falta de sono é bom, faz-nos ver detalhes com mais nitidez.
Beijo.
Magna

Arsenio disse...

Magna, o poema é angústia em estado puro. Sem eufemismos.

A letra do Arnaldo Antunes me veio à cabeça: (Alguém me dê um coração/Que esse já não bate nem apanha/Por favor!/ Uma emoção pequena/ qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva.)

Ou então a grande melancolia de Fernando Pessoa:

"Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir."

Magna, pra mim, um dos segredos dos bons poemas é qee, de tão pessoais e estreitos, pela força do seu exclusivismo, falam com o mundo inteiro.

Abraços

Magna Santos disse...

Estas preciosidades que você deixa é um retorno bom demais da conta, Arsenio.
Concordo contigo. Creio que o poeta tem o dom de ver beleza onde não conseguimos, com olhos comuns, enxergar, falar de sentimentos que não conseguimos, mas que pulsam em nós. E ele só pode conseguir tudo isto com propriedade, ou seja, sentindo, vivendo. Portanto, se "viver é não conseguir"(grande Pessoa! - escrevi em março de 2009 sobre meu encontro com ele), poesia parece nos devolver esta possibilidade...talvez ela seja, com isso, uma contradição.
Mais uma vez, obrigada.
Abraço.
Magna