sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CARTA A DEUS

Não acredito que fizeste o mundo em 6 dias
Mas acredito ser uma bela história de ninar:
No final o mundo estava sempre bom
E isto é maravilhoso!
Equivale dizer que és um ótimo contador de histórias
Porque criaste todas elas

Só mesmo tu para imaginar
Só mesmo tu para entender todas as faces de um rosto

A última gota de orvalho me serviu de lágrima
Quando compreendi as asas nos pássaros

Não sei se sou bem aquilo que imaginaste
Nem tampouco o que quiseste quando me criaste
Mas sei que me permites ser como sou
E eu te agradeço
E me esforço para fazer do que sou, algo melhor
Confesso: é um trabalho bem difícil
E não saberei mesmo fazer em 6 dias
Quem sabe 6 séculos, milênios, talvez.

Ah, eu queria poder soluçar aos risos para te ter a cada segundo!

Por último, queria muito te agradecer pelos poetas
Por sempre, no final de 6 dias,
Eles me salvarem
Quando olho e vejo
Com meus olhos cegos

Que o mundo...
O mundo não está bom.



Magna Santos

4 comentários:

Sandrio cândido. disse...

O mundo não está bom mas a culpa não é de Deus é nossa culpa.

Magna Santos disse...

Sandrio, escrevi esse texto há alguns meses e, confesso, quase não o publicava. Por 2 motivos: 1 - meu perfeccionismo e auto-crítica braba não deixavam gostar...achei piegas em alguns momentos, noutros, evasivos, incompletos etc., ou seja, se houvesse escrito em papel, tê-lo-ia amassado e dado o assunto por encerrado; 2 - era pra Deus e sobre Deus. O primeiro motivo, consegui driblar, pois não tenho medo de crítica(pelo contrário, quase sempre me faz crescer), porém o amor por Sementeiras não me deixa publicar qualquer coisa que eu escreva. Por isto mudei frases(versos) de lugar, excluí outros e podando devagarinho, arrisquei uma árvore pequenina, porém sincera(ainda assim, há trechos que ainda me incomodam). Quanto ao segundo motivo, este me preocupa mais pelo respeito, amor e fé inabalável Nele. Por este último motivo, minha exigência foi às alturas. Ninguém quer oferecer a quem ama, uma flor murcha, uma árvore seca, quer?
Pois bem, este falatório todo é apenas para dizer que não falei de culpa, muito menos a direcionei a Deus. Mas acredito que não há essa distância: euzinha aqui e Deus lá no espaço sideral, assistindo de camarote. O que há é muito trabalho...é só olhar em volta. Sim, somos por demais pequenos, mas foi Deus quem criou a simplicidade e a capacidade de falarmos de nossos medos, tristezas, angústias...e também a capacidade de enxergar o que antes não conseguíamos ver. "Nós somos Deuses", acho que já ouvimos isto. Acredito sim, como já disse aqui, que os poetas, a poesia são uma grande providência divina, porque só os poetas, a poesia nos fazem enxergar o que não vemos em situações cotidianas, corriqueiras e apressadas, sobretudo, quando sentimos tudo mal. Por isso, disse "com meus olhos CEGOS".
Por último, assumo minha incompetência de falar sobre assunto tão grandioso. E termino por repetir Quintana, mais uma vez, nos comentários. Este sim expressa toda beleza com leveza e a propriedade das grandes almas. Taí um poema que gostaria muito de ter escrito, mas ofereço esta carta mesmo, que não apagarei nem excluirei daqui, visto que é parte de mim para Quem aceita com amor o que cada um é capaz de oferecer com sinceridade.
Fique com Deus e um grande abraço.
Magna

Segue Quintana:

SE EU FOSSE UM PADRE

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário Quintana

Anônimo disse...

Magna,achei este poema/texto/crônica belíssimo. Sem pedir sua licença (que atrevimento) vou colocar lá no Fusca. Depois você me dá um belo puxão de orelhas. Mas ele é simplesmente algo incomum. De rara beleza. Grande abraço.
Domingos

Magna Santos disse...

Domingos, como posso te puxar as orelhas? Estar no Fusca sempre é uma honra, pois é o lugar da amizade, da confraternização dos sonhos.
Esteja à vontade. Pensei até que você fosse levar O Devorador de Poesia para lá também, já que é em homenagem ao nosso amigo Arsênio.
Como deves ter lido aí em cima, este poema foi um problema para mim no início. Bom saber que gostaste.
Abração e seja sempre bem-vindo. Aqui não chega a ser o fusca, mas a proposta também é da amizade, do respeito, da plantação segura no bem.
Magna