As luzes sagradas de Recife me esperam. Gente dorme lá embaixo, enquanto exulto em chegar. Poucos sabem da minha existência e isto pouco importa. Os que sabem me dizem coisas boas e boa mesmo é a vida, as cores, o tempo.
Retorno de uma cidade limpa, belíssima, quase impecavelmente arquitetada para encher os olhos e a vida dos seus habitantes. Poucos pedintes pela rua...poucos? Acaso um só não seria muito em qualquer lugar?
Parece que ainda estamos complacentes a uma lógica perversa.
Alguém comenta na jardineira*: "se tem coisa feia nesta cidade, eu não vi". Aponta-se, então, um barraco. É, desconfia-se que há gente a sofrer.
E sou salva por Leminski na sua pedreira curitibana:

Magna Santos
*tradicional ônibus turístico de Curitiba
7 comentários:
Eita Magna. Pelo telefone lhe perguntei sobre a Pedreira e você falou que tinha escrito. Haja coincidência. Leminski nos dai hoje a poesia com frio e tudo o mais que o só o bandido que sabia latim pode nós dar. Não fosse uma profecia eu cegasse hoje mesmo. Mas é a tua viagem que importa. E o teu regresso mais ainda. E o sol que é a marca impressa nos teus poemas te recebeu com todo gás. Que bom. Curitiba recebeu um belo sopro da poesia pura e bela que invade o cais vinda do sertão. E porque eu vou dizer mais alguma coisa. Mais não digo.
Domingos
Coincidência? Será? De todo modo, "distraídos venceremos", ou não?
Abração!
Magna
Magna,
Bons ventos a trazem de volta na leveza das horas, apesar dos pesares e descontamentos do mundo. Sim, um só pedinte é demais em qualquer lugar. A pobreza torna duros os olhos de quem a vê, não de quem a sente.
Que tua poesia seja como o mar de Leminski e se espalhe para tudo quanto é lado.
Dimas
Obrigada, Dimas.
E amém.
Abraço.
Magna
O Recife tem essa magia, e como magia, inexplicável, e que assim seja, né Maga?
Para quem existes, também existe do tamanho do seu sentimento, e como não tens tamanho em sentires, és imensa em si, em nós, e no mundo que te sabes.
Um dia quem sabe, a limpeza, a beleza e garantia de direitos básicos, será a realidade de todos os brasileiros, banhados pelo mar de poesia leminskyniana? Num mundo igual, cheio de respeito a um e a todos...
Beijos, e eita como é bom nos embrenharmos por esse Sementeiras!
;)
Eita, Boca, ler tuas palavras nesta manhã de quinta-feira me banhou de alegria e de uma emoção que gostaria de sentir todo santo dia. Muito obrigada.
E, sim, dia virá em que todos poderemos conviver com a justiça e a dignidade. Não tenho a menor dúvida. Foi para isso que tanta gente lutou, morreu, sangrou e vive ainda se embrenhando em busca de mais e mais possibilidades iguais.
Da nossa parte, plantaremos palavras, colhidas na beleza e certa tristeza desta vida. A esperança é o que nos guia, a beleza é nosso chão, o amor é nossa arma.
Amém!
Beijão bem grandão.
Fique com Deus!
Magna
Deixo um pouco de Quintana:
ESPERANÇA
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
sim, sim...
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